Você conhece o Nelore Pintado?

Cerca de 80% do rebanho bovino brasileiro deriva da raça Nelore. Considerando as estatísticas que mostram um volume aproximado de 180 milhões de cabeças em todo o País, é gado de pelagem branca que não acaba mais. E, em meio a este universo, há uma parcela composta por um Nelore diferente, com animais pintados de vermelho e branco, preto e branco ou, ainda, vermelhos. Com tanto Nelore de pêlo branco por aí, esbarrar em um vermelho não é algo corriqueiro.


Apesar de representar uma pequena parcela, a ocorrência de animais de pelagem vermelha, dentro da raça Nelore, é freqüente. Todos os autores que descrevem o gado Ongole citam a existência de indivíduos, linhagens e famílias com essa coloração. Criadores brasileiros, de diferentes regiões e em diversas fases da exploração do Nelore, interessam-se por exemplares de pelagem vermelha, seja por mera curiosidade, seja por verificarem sua perfeita caracterização racial.

Foi em 1906, no Estado da Bahia, que surgiu o primeiro rebanho de Nelore com a coloração vermelha. Com o aproveitamento genético de reprodutores desta pelagem, oriundos de um plantel Nelore, tido como puro de origem (PO), o selecionador Octávio Ariani Machado deu o passo inicial para a proliferação desta genética nos rebanhos de todo o território nacional. Itabira, uma fêmea filha de um casal de Nelore – com pelagem cinza claro – vindo de Madras, naquele mesmo ano, foi a primeira novilha de pelagem vermelha. Como é freqüente no nascimento de bezerros Nelore, os filhos de Itabira eram todos avermelhados. A diferença é que a coloração dos pêlos persistia na idade adulta.


O Nelore é o segundo tipo básico de gado Zebu da Índia, constituído por grupo de raças onde sobressai a Hariana e a Ongole . Vários autores acreditam que este grupamento étnico não é nativo do subcontinente indo-paquistânico mas foi introduzido na região por pastores que após a era cristã começaram a invadir a Índia. A distribuição dessas raças coincidem com o deslocamento das tribos arianas dentro do continente indiano.

 Devido à distribuição por vastas regiões da Índia do gado ariano, com diversos tipos de clima, solo e agricultura, foi-se diferenciando, originando diversos ecotipos ou raças geográficas mas com traços em comuns. A origem do Nelore vem do gado indiano Ongole, animal comum na antiga Província de Madras, atual estado de Andhra Pradesh, situada na costa oriental da Índia.

 O motivo pelo qual este zebuíno em terras brasileiras passou se chamar Nelore é devido ao munícípio de Nellore, que atualmente é quarto mais populoso de Andhra Pradesh. Portanto, é exatamente nesta região que foram encontrados alguns dos primeiros animais importados de tal raça para o Brasil no final do século XIX e início do século XX.

 Quando os primeiros importadores brasileiros começaram a ir diretamente à Índia, num período que durou dos últimos anos do século XIX até a década de 1920 – foram importados animais das raças Gir, Nelore e Guzerá, bem como de outras raças zebuínas que não vigoraram no Brasil.

 Na década de 1960, foram realizadas as mais importantes importações de Nelore para o desenvolvimento da raça no Brasil,uma vez que entraram animais com excelentes características raciais, aspecto favorecido por observações de critérios de seleção que estavam sendo desenvolvidos desde os anos de 1930.
 Somaram a essa questão, outros aspectos que naquele contexto favorecem a difusão no Nelore em grande parte dos pastos brasileiros, como: o advento do uso da inseminação artificial, o uso de novas pastagens e a expansão da fronteira agrícola para a região Centro-Oeste e partes da região Norte.

 Dessas importações tiveram destaque grandes genearcas, a exemplo de Kavardi, Golias, Rastã, Checurupadu, Godhavari, Padu e Akasamu que contribuíram na base formadora das principais linhagens de Nelore até os dias atuais, assim como de outros touros as vacas advindas da Índia e foram importantes para a padronização da raça no País.

Hoje a raça Nelore possui o maior número de efetivo populacional, que de acordo com dados estatísticos da ABCZ dos últimos 20 anos, correspondem a 2.656.675 animais com registro genealógico definitivo.
O peso ao sobreano de 167 kg na década de 1990 evolui para 191kg nos anos 2000, aumento de 30%.Isto devido à intensa pressão de seleção que possobilita escolher touros e matrizes que transmitam genes melhoradores para ganho de peso para seus filhos. O Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) é um dos mais avançando no país, servindo de ferramenta para fomentar aumentos de produtividade e econômicos nos rebanhos nacional.
A antecipação da idade ao primeiro parto está diretamente ligada à eficiência e à lucratividade da produção de carne bovina. Vários trabalhos na literatura têm demonstrado a vantagem em iniciar mais cedo a vida reprodutiva das novilhas.

 Segundo Martin et al. (1992), o desempenho reprodutivo das novilhas depende da idade em que essas fêmeas parem pela primeira vez. Novilhas que parem mais cedo têm maior vida produtiva que as fêmeas mais tardias; assim, novilhas que parem pela primeira vez aos 2 anos de idade deverão produzir mais bezerros do que as que parem aos 3 anos de idade.

Um comentário sobre “Você conhece o Nelore Pintado?

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s