Fundamentos na criação de potros.

Os cuidados com os potros nascidos representam o ponto mais crítico no sucesso de um criatório. É comum os criadores investirem pesado em matrizes, garanhões consagrados e negligenciarem os cuidados com os potros, não basta ter genética.Cuidados do pré-parto aos 12 meses de idade são fundamentais para os resultados de pistas de uma cabanha.

O primeiro cuidado que podemos salientar é o período de nascimentos. Os bons potros nascem no início de setembro, época em que as geadas e o frio intenso já são raros, até o final de dezembro.
Animais que nascem a partir de janeiro acabam se desenvolvendo no período frio de outono e entrada de inverno, além do que são menores do que os nascidos em setembro e por isso acabam subclassificados na própria criação. Quanto mais uniforme o lote de potros e quanto mais próximos os nascimentos, melhor é o manejo sanitário e de desmame.
O momento de corrigir defeitos de aprumos é nos primeiros meses de vida. Hoje em dia se vê muitos animais com estímulo à precocidade por altas cargas de carboidratos, o que gera a tendência de ter aprumos varos (virados para dentro) devido ao crescimento e expansão torácica acelerada.
Com isto, a atenção aos aprumos deve ocorrer a partir de 30 dias de vida dos potros, com correção da pinça dos cascos sem que se corrijam defeitos angulares. A partir de 60 dias de vida destes já podemos corrigir defeitos varos (virados para dentro), mas nunca, na raça Crioula, devemos corrigir, nesta idade, defeitos valgus de membros anteriores (membros virados para fora).
A partir do momento que os potros desenvolvem tórax, os membros anteriores valgus vão se corrigindo naturalmente. Este manejo é indicado para a raça Crioula e não para outras raças.
Animais com membros anteriores varos devem ser corrigidos a cada 30 dias até os 12 meses de idade. Após isto não devemos mais corrigir defeitos de aprumos em hipótese alguma.
No período pré-parto as éguas devem ser desverminadas para que nenhum parasita infecte o potro via mamada. Após o parto é o momento em que podemos utilizar organofosforados nas éguas com segurança, antes destas conceberem novamente.
Sempre lembrando que organofosforados não são recomendados para éguas em terço final de gestação, mas muitas pessoas temem em utilizá-los em qualquer momento da gestação e por isto este intervalo, do parto ao cio do potro, é utilizado para a aplicação deste fármaco de amplo expectro.
A paritr de 30 dias de vida dos potros devemos desverminá-los com piperazina. Os potros são muito sensíveis a parasitas gastrointestinais que prejudicam muito o seu pleno desenvolvimento.
A nutrição de éguas de cria e seus potros é um dos fatores primordiais na produção de animais de excelência, é muito importante a manutenção destes em pastagens cultivadas em abundância, sem a necessidade de suplementação com carboidratos. Pastagens com azevém, cornichão, trevo branco, tifton, capim sudão e alfafa estão entre os cultivares que melhor se adaptam na região sul do Brasil na época de partos e desenvolvimento de potros.
Sempre lembrando que a suplementação com ração balanceada em abundância tende a favorecer artroses juvenis, desenvolvimento acelerado, desvios angulares e síndrome metabólica em potros. Desta forma, deve-se lançar mão desta suplementação apenas em carência de pastagens em abundância.
A suplementação mineral desta categoria deve ser feita com disponibilidade em tempo integral nos potreiros em cochos cobertos.
Os cuidados com os potros nesta idade ao nascer devem estar voltados á limpeza de umbigo. Por isso, animais recém-nascidos não devem permanecer na mangueira junto às demais éguas de controle folicular ou de cio. A contaminação nesta região, que tem ligação aberta a órgãos vitais nos primeiros dias, causa perdas e danos irreversíveis.
Cuidar a primeira mamada até duas horas de vida para que o potro mame o colostro com eficiência é importante. Após isto, deve-se estar atento à eliminação do mecônio sem dificuldades durante as primeiras horas. O tratador deve cuidar se o úbere da mãe está com volume adequado. Geralmente, éguas de primeira cria têm baixa produção de leite, o que prejudica o desenvolvimento do potro.
Ao perceber isto a administração medicamentosa para estímulo desta produção de leite deve ser considerada.
Estes cuidados com o potro ao nascer certificam ao criador o desenvolvimento adequado e saudável de sua produção.
Obs: Mangueiras em que as éguas são encerradas junto a seus potros para o manejo reprodutivo devem ter água á disposição em tanques que mantêm o nível automaticamente (boia). Um dos maiores fatores de perdas embrionárias é a demanda hídrica em dias quentes e durante horas.
Uma das causas mais comuns de morte de potros de 30 a 60 dias são as diarreias. Deve-se estar atento a isto “do cio do potro”, fisiológica e comum no período de 7 a 10 dias de vida e que por coincidência ocorre durante o cio do potro da égua. É o período em que a flora do sistema gastrointestinal está sendo modificada e causa diarreia não fétida nos potros. Sendo esta alteração identificada, não devemos interceder.
Diarreias de fundo patológico são muito comuns, e ocorrem dos 15 aos 30 dias de vida dos potros. Estas são extremamente fétidas, de conteúdo mais amarelado. Devemos interceder rapidamente nestes casos. Sulfa com trimetropina de 5 a 7 dias resolve na maioria dos casos. Em caso de não resolução neste prazo ou recidiva devemos trocar o antibiótico. Gentamicina com Penicilina Potássica é uma alternativa de boa resolução juntamente com tratamento de suporte hídrico e poli vitamínicos.
A proposta de vacinação destes potros neste período não deve ocorrer antes dos 4 meses de idade. Antes disto, o sistema imunológico dos potros não é competente, sendo seus anticorpos de origem materna apenas. No período de 3 para 4 meses de vida, o sistema imunológico ativo destes passa a produzir anticorpos e por isso a vacinação pode ser considerada. Vacina anti- adenite (garrotilho) e antirrábica são primordiais pela endemia existente no Rio Grande do Sul. Por isso é importante a égua estar com estas vacinas em dia no terço final da gestação, para que passe via colostro ao potro seus anticorpos.
Apenas algumas dicas de nossa equipe para que nesta época de entrada de verão os criadores atentem aos cuidados sanitários e manejos adequados para que todos tenham condições de produzirem potros de excelência e que em breve estarão desfilando nas pistas e trazendo resultados para suas cabanhas. Lembre-se, não basta ter genética, a criação dos potros é fundamental.


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