Pastagens integrada lavoura-pecuária aqui está nosso futuro.

No estado do Paraná, as propriedades que adotam o processo de integração lavoura-pecuária predomina a exploração da atividade leiteira, sendo o rebanho leiteiro paranaense de aproximadamente 3.120.000 cabeças, o que corresponde a 30% do rebanho bovino total do Estado.
Dentre as regiões do Estado do Paraná, o oeste é a região de maior produção do Estado. A produtividade média dessa região situa-se em 2.496 litros/vaca/ano. Sendo que entre os municípios do Estado os que mais se destacam em produção de leite são: Marechal Cândido Rondon, Castro, Carambeí, Toledo e Palmeira.
Nos municípios de Carambeí, Castro, Palmeira e Arapoti, pertencentes a micro-região de Ponta Grossa, encontram-se os melhores rebanhos leiteiros do país e a produtividade média situa-se em 3.500 litros/vaca/ano. O município de Castro é considerado “centro de referência” em bovinocultura de leite. Nesta região, é comum a existência de rebanhos, com produtividade superior a 8.000 litros/vaca/ano, equiparando-se aos maiores países produtores de leite. Nesta região, há predominância de rebanhos confinados.
No entanto em regiões como Sudoeste do Estado, predomina quase que em sua totalidade a produção de leite a pasto e, em pequenas propriedades. Tipicamente as propriedades leiteiras do Estado do Paraná são constituídas por pequenas áreas, sendo que aproximadamente 45% dos estabelecimentos do Estado apresentavam uma área inferior a 20 ha na década de 90 do Século passado, sendo que este valor provavelmente se manteve. Ressalta-se que estas propriedades normalmente são localizadas em área com topografia de acentuada declividade e devido a leis ambientais, boa parte das áreas deve ser mantida com cobertura florestal (Figura 1).
Figura 1 – Vista geral de uma pequena propriedade de produção leiteira
Muitas destas propriedades possuem solos degradados e nenhum aporte tecnológico, sendo que praticamente o único momento e espaço em que as forrageiras de uma propriedade familiar no Paraná, são cultivadas com aporte tecnológico, é no processo de integração lavoura-pecuária. E, ainda assim, o cultivo e a utilização de forrageiras de inverno são feitos tendo como base o aproveitamento do efeito residual do que foi aplicado na exploração de verão, durante o cultivo de grãos. Ressalta-se que muitas vezes, mesmo sendo a pecuária leiteira responsável pelo maior aporte econômico de uma pequena propriedade, o produtor rural raramente destina as áreas de agricultura para cultivo de forrageiras de verão, que teriam um maior potencial produtivo. Via de regra estas áreas, no verão, são destinadas ao cultivo de grãos, principalmente soja e milho, restando para os animais as áreas marginais de escape da propriedade.
Analisando a exploração pecuária apenas com o enfoque do plantio direto, a introdução de um animal em área de agricultura significa a introdução de um agente competidor por biomassa. A utilização das forrageiras das áreas de integração lavoura-pecuária, via o manejo dos animais, nas pequenas propriedades leiteiras se dá principalmente de três métodos de pastejo.
Entende-se por pastejo continuo em área de integração lavoura-pecuária, a presença contínua de animais, porém com lotação variável. O que determina a quantidade de animais que devem ficar na área é a quantidade de oferta de matéria seca, o que na prática para o produtor pode ser traduzido pela altura da forrageira.
Têm-se observado que uma das grandes dificuldades para adoção deste método de pastejo, é o manejo da carga animal variável. Além disso, por questões de segurança, caso a área de lavoura-pecuária, seja distante da sede, normalmente os produtores retiram os animais para passarem o período noturno na proximidade da sede da propriedade.
Outro método de pastejo constantemente utilizado nas propriedades leiteiras em áreas de integração lavoura-pecuária é o pastejo rotativo fixo, em que a área é dividida por meio de cerca elétrica em um número fixo de piquetes. Nestes piquetes, os animais entram quando se observa um volume de forragem suficiente e são retirados, quando quantidade de forragem atinge um limite inferior geralmente estabelecido pela altura para cada espécie. Na sequência, passam-se os animais para o piquete seguinte, ainda não pastejado (Figura 2).
Figura 2 – Divisão de área de integração lavoura-pecuária em dois piquetes fixos em pastagem de aveia plantada na sequência de cultivo de soja.
Contudo como as áreas de integração lavoura-pecuária não são grandes em extensão, normalmente a divisão de piquetes é feita em um número reduzido, e como a exemplo da Figura 2, são muitas as propriedades que fazem a divisão em apenas dois piquetes.
O pastejo rotacionado utiliza uma alta carga e lotação animal instantâneo, sobre o piquete durante algumas horas, um dia ou no máximo três dias. Isto pode proporcionar resultados negativos sobre a física do solo, em condições de chuva.
Já o pastejo contínuo em faixas é um sistema de manejo que utiliza cercas móveis. Esta é deslocada de acordo com o tempo que se queira disponibilizar o pasto aos animais. Este tempo pode ser de algumas horas, um, dois ou três dias. Assim como no rotativo fixo, permite controlar o momento da entrada e da saída, baseado na oferta de massa. O consumo da forragem nestas faixas é controlado pelo produtor e pode apresentar alta carga instantânea.
Em todos os métodos de pastejo descritos acima, o grande problema das propriedades é a dificuldade de levar água a área destinada ao processo de integração lavoura-pecuária o que faz com que a grande maioria dos produtores em um dado momento do dia, desloque os animais para uma região em que os mesmos tenham acesso a água. Na Figura 3 observa-se uma fonte de água e área destinada para este tempo de descanso dos animais. Neste caso os processos de ciclagem de nutrientes, feito por meio da deposição de fezes e urina, são prejudicados, uma vez que os animais fazem a coleta de forrageiras com elevada qualidade nutricional e muitas vezes a deposição dos dejetos animais é feita em piquetes que apresentam vegetação de baixa qualidade, ou até mesmo em área sem nenhuma cobertura vegetal.

Figura 3 – Área de acesso á água para os animais
Em todos os sistemas de pastejo adotado, o que tem se observado é que devido ao vazio forrageiro de outono, e o decréscimo de produção das pastagens perenes de verão durante o período mais frio do ano, a pastagem das áreas de integração lavoura-pecuária se constitui quase que a única reserva de forrageiras da propriedade neste período, fazendo com que ocorra muitas vezes um excesso de lotação de animais, e a entrada dos animais quando a pastagem ainda não tem condições de oferta de forragem suficiente para se manter produtiva ao longo do período de pastoreio.
Estudos concluíram que quantidade mínima de matéria seca residual para implantação de culturas de verão em sistema de plantio direto conduzidos em área de integração lavoura-pecuária seria respectivamente de 2.000 kg/ha e de 3.000 kg/ha de MS. Mesmo com esta possibilidade de redução da quantidade de MS residual que deva ser deixada para a implantação da cultura de verão em sistema de plantio direto, ainda existe a preocupação com a composição do rebanho leiteiro das pequenas propriedades. Caso a propriedade tenha uma produção de alimentos adequada ao número de animais do rebanho, porém, tem um plantel leiteiro, com um grande número de animais que não estejam produzindo devido a excesso de novilhas, um elevado número de vacas secas, terá consequentemente uma baixa produção, e seus custos elevados, isto, sem considerarmos o número excessivo de machos, acima da necessidade do consumo da família.
Mesmo com a adequação do rebanho, ainda resta a preocupação da sustentabilidade da alimentação do plantel e a manutenção das condições de fertilidade do solo. Também é preocupante a forma que a grande maioria dos produtores faz a implantação das culturas forrageiras de inverno, sendo que devido ao custo de uma semeadora de cereais, o plantio das pastagens de inverno tem sido feito à lanço e a forma de incorporação destas sementes ao solo é feita via uma operação de gradagem (Figura 4).
Figura 4 – Operação de gradagem sobre resíduos de milho para plantio da cultura de aveia.
Algumas das consequências da gradagem são possíveis de se visualizar já no período de cultivo de inverno, especialmente se houverem chuvas de grande intensidade logo após esta operação mecânica, o que faz com que a perda de solo e muitas vezes das sementes seja pronunciada. No entanto, o efeito desta operação muitas vezes prolonga-se durante o cultivo de grãos no período de verão (Figura 5).
Figura 5 – Processo erosivo em área de integração lavoura-pecuária no cultivada com a cultura de soja no período de verão em sequência a área cultivada com aveia pastejada e implantada com gradagem.
Considerações Finais
Desta forma conclui-se que embora o sistema de integração lavoura/pecuária seja uma excelente opção para sustentabilidade das pequenas e médias propriedades do Estado do Paraná, ainda é necessária a compreensão e alteração de determinadas práticas de manejo de solos, forrageiras e animais que veem sendo utilizadas atualmente pelos produtores.
Este tema está muito atual e estará ainda mais em evidência no futuro, especialmente se agregarmos ao sistema de integração Lavoura/pecuária, mais um favor, a floresta, pois é comprovado que algumas forrageiras produzem até 20% a mais de proteína quando sobre sombreamento parcial, fator esse que muito contribuiria para o perfil nutricional do rebanho. Esta integração tripla ainda contribuiria muito para o conforto térmico de vacas leiteiras.
Custos com recursos humanos para manejo, com construções de instalações e principalmente com a alimentação fazem da categoria novilha uma grande consumidora de dinheiro em uma granja leiteira. Estes custos são alto pois o manejo a ser dado às novilhas deverá ser o suficiente para se produzir a melhor vaca possível, do ponto de vista produtivo e reprodutivo. Para atingir esse objetivo, alguns pontos importantes do ponto de vista nutricional deverão ser observados, alguns dos quais discutiremos a seguir.
Embora o sistema de criação interfira no desenvolvimento da novilha, são os fatores dietéticos que causam grande impacto no desempenho ponderal as mesmas. O tipo de alimento que é fornecido às novilhas afeta diretamente a eficiência com que estes são utilizados para o crescimento e desenvolvimento das estruturas orgânicas, dentre elas a glândula mamária.
Dietas com alto concentrado
A alimentação balanceada é facilitada quando a dieta é fornecida no cocho, onde o fornecimento de ração total facilita o suprimento preciso de nutrientes. Pesquisas recentes recomendam o seguinte:
Balanceamento proteico
– Fornecer entre 14 a 15% de proteína bruta na dieta de novilhas antes da puberdade, fornecendo alimentos a 2,15% do Peso vivo (CMS=consumo de matéria seca)
– Reduzir para 13 a 14% de proteína bruta depois da puberdade das novilhas, reduzindo o CMS para 1,65% do Peso vivo.
– Manter pelo menos 30 a 35% de proteína solúvel nas rações o tempo todo.
– Não exceder a proteína não degradável no rúmen em 25 a 30%.
Os animais nesta fase requerem quantidades muito especificas de nutrientes diariamente, em especial a proteína. Logo, a manutenção de uma rotina alimentar bem definida é uma das chaves do sucesso para uma boa criação de novilhas.
Balanceamento energético
As exigências por energia depende principalmente do tamanho das novilhas, da taxa de crescimento e das condições ambientais onde elas são criadas. Existem duas estratégias para suprir as necessidades de energia das novilhas. Primeiro, as dietas podem ser formuladas com densidade energética variável e fornecidas livremente, para que as novilhas selecionem o consumo de energia. Na segunda estratégia, as dietas podem ser formuladas para conter uma quantidade fixa de energia, geralmente alta. Independentemente da estratégia de alimentação, a concentração de energia deverá permitir ganho de peso variando entre 800 a 900 gramas por dia de peso vivo, ou ainda, fornecer 130 kcal de energia metabolizável para cada meio quilo de peso vivo metabólico (peso vivo vezes 0,75). A segunda estratégia de alimentação é recomendada, pois facilita o fornecimento preciso dos demais componentes da dieta.
Teores de Fibra na dieta
Mesmo para os programas mais avançados em nutrição de bovinos, como o NRC, os teores de fibras para novilhas leiteiras ainda não foram exatamente explicadas pelos experimentos científicos. Historicamente o nível de fibra depende principalmente da qualidade do alimento, e consequentemente interfere na densidade energética da dieta.
Os requerimentos por FDN (fibra em Detergente Neutro) para novilhas em crescimento ainda não estão completamente estabelecidos, principalmente no que se refere ao limite mínimo. Portanto, prudência é requerida, não fornecendo dieta com FDN menor que 19%, visando evitar problemas de laminite, dentre outros. Entretanto, recomendações abaixo de 19% de FDN não são recomendados devido aos poucos experimentos realizados, o que é importante, pois o teor de FDN da dieta é um dos fatores que controla o consumo de alimento.
Principais recomendações
1. Pese as novilhas frequentemente
O monitoramento do peso dos animais é a forma mais barata e muito eficiente de verificar se o manejo alimentar está adequado, principalmente depois que as novilhas estão prenhas. A pesagem uma vez por mês é suficiente para as checagens necessárias.
2. Separe as novilhas por grupo em função do tamanho
Facilita o manejo alimentar, uma vez que um dos fundamentos básicos da nutrição é o oferecimento de alimento em função do Peso Vivo. Se possivel, permitir uma variação máxima de 90kg dentro do lote.
Considerações finais
Cada propriedade e grupo de animais possuem particularidades, que se não atendidas poderão depreciar a futura vaca. Procure um profissional que possa avaliar cuidadosamente o manejo adotado, o padrão dos animais, a infraestrutura da fazenda e assim, definir o melhor manejo alimentar a ser adotado para as novilhas de reposição.

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