Importantes informações sobre os efeitos das vitaminas

As vitaminas são moléculas orgânicas de estrutura complexa encontradas naturalmente nos alimentos ou na forma de precursores, responsáveis pelo controle de muitos processos metabólicos e requeridas em quantidades mínimas para a manutenção da saúde, crescimento e reprodução de ruminantes. Na ausência de uma ou mais vitaminas, sintomas específicos, conhecidos como doenças carências, podem acometer animais jovens e adultos. Nos estudos das vitaminas destacam-se as seguintes denominações:Vitaminose – transtornos patológicos ocasionados pela deficiência ou excesso de vitaminas
Avitaminose – ausência de vitamina no alimento
Hipovitaminose – vitamina presente em pequena quantidade no alimento ou parcialmente disponível para o animal, Hipervitaminose excesso de vitamina Paravitaminose distrofia irreversível em decorrência prolongada de vitamina. Exigências de vitaminas pelos ruminantes Quando se tem vacas de alta produção, o uso de vitaminas adicionais à ração é obrigatório. Sua falta simplesmente impede que os animais continuem produzindo e, ainda mais grave, compromete seu estado físico. A Tabela 1 apresenta níveis de vitaminas na dieta de vacas leiteiras de alta produção.Tabela 1. Exigências de vitaminas recomendadas pelo National Research Council (EUA) para vacas leiteiras Todos os animais têm necessidades metabólicas de vitaminas. Entretanto os ruminantes adultos são diferentes dos animais não ruminantes, com respeito a sua dependência da suplementação vitamínica. As vitaminas do complexo B e K ocorrem durante a degradação e fermentação dos nutrientes presentes na dieta pela microbiota ruminal, deste modo, os ruminantes raramente são suplementados com essas vitaminas. Por outro lado, ruminantes jovens que não possuem o rúmen totalmente desenvolvido não podem sintetizar quantidades adequadas de vitaminas do complexo B, podendo desenvolver deficiência. A vitamina D é sintetizada através da radiação ultravioleta sobre os esteróis presentes na pele dos ruminantes. A vitamina C é sintetizada a partir de açúcares e a niacina a partir do triptofano.Por essa razão, a suplementação de ruminantes adultos consiste basicamente em vitaminas A e E. Considerações finais. Em alguns casos especiais pode ocorrer deficiência de vitamina D e tiamina, como no caso de animais estabulados com pouca ou nenhuma exposição aos raios solares. Também, rações que causam queda brusca de pH ruminal ou rações ricas em enxofre reduzem a síntese de tiamina pela flora ruminal, levando o animal a apresentar sintomas de poliencefalomalácea. Desta forma, a suplementação de niacina pode ocorrer em razão de raças mais exigentes, devido ao potencial genético ou seleção genética, sendo que o aumento de produtividade pode conduzir a produção insuficiente de vitaminas no rúmen. Portanto, conclui-se que, para ruminantes adultos, atenção deve ser dada a quatro vitaminas: A, E, e em condições específicas, niacina e tiamina. Alguns dos requisitos básicos para atingir eficiência elevada em sistemas de produção de leite são:a) explorar vacas especializadas,b) com um manejo sanitário adequado,c) ter bom manejo reprodutivo,d) ter bom manejo nutricional e d) oferecer condições adequadas de conforto para os animais. Estes requisitos independem do sistema de produção adotado, seja ele baseado em pastejo ou em confinamento total, com alto ou baixo nível de concentrado, com vacas holandesas, Jerseys, Pardo Suíças ou mestiças, etc. Produtores de leite eficientes tanto dos Estados Unidos e Canadá como da Europa e Oceania têm em comum o fato de terem estes requisitos atendidos de forma satisfatória. Entretanto, a grande maioria do leite produzido no Brasil é proveniente de sistemas que exploram vacas não especializadas, mantidas em pastagens tropicais mal manejadas, ocorrendo severa restrição nutricional destes animais no período da seca. A suplementação com concentrados é muitas vezes feita de forma inadequada, tanto em termos quantitativos como qualitativos. O resultado é a pequena escala de produção, índices zootécnicos medianos e a baixa rentabilidade do setor. A necessidade premente de intensificação da pecuária leiteira nacional tem gerado discussões acaloradas quanto ao sistema ideal de produção de leite para as nossas condições. A discussão tem sido polarizada no sentido comparativo, entre a exploração de animais em sistemas intensivos a pasto ou em confinamento. Infelizmente, essa discussão tem sido desvirtuada, guiada por argumentações sem embasamento científico devido à falta de dados comparativos gerados dentro das condições brasileiras. Essa discussão se torna improdutiva à medida que pesquisadores, consultores e produtores polarizam a questão em torno da tentativa de se estabelecer para o país como um todo, um modelo ideal, único e padronizado de produção de leite. A grande diversidade das condições edafoclimáticas, sociais, culturais e econômicas vigentes no país, propiciam e justificam a presença de diferentes sistemas de produção de leite em nosso meio. O importante é que a tomada de decisão quanto ao sistema de produção a ser adotado, seja técnica e considere as condições particulares de cada propriedade rural.Infelizmente, tem sido difundido o conceito equivocado, de que sistemas tropicais de produção a pasto são necessariamente extensivos, capazes de explorar apenas gado mestiço, enquanto sistemas confinados são sinônimos de intensificação e a única maneira de se explorar vacas especializadas de alto mérito genético. A tendência de abandono de sistemas de produção de leite a pasto com o crescimento de sistemas confinados até meados da década de 90 parece estar sofrendo uma reversão significativa. A vocação natural de grande parte das nossas bacias leiteiras, para a produção a pasto, em função das condições favoráveis para o crescimento de gramíneas tropicais de alta produção, associada às condições impostas pela atual conjuntura do sistema agroindustrial do leite, têm levado um grande número de produtores que pretendem intensificar sua produção, a adotarem o uso de pastagens manejadas intensivamente. O estado de Rondônia é um grande exemplo disso na atualidade. A proposta básica desses sistemas é explorar o potencial elevado de produção das gramíneas tropicais, que permitem lotações entre 4 a 15 vacas por hectare durante o verão, dependendo da espécie utilizada, nível de adubação e disponibilidade hídrica. Com produções por vaca/ano entre 3 a 7000 kg de leite, em função do potencial genético do rebanho e do manejo adotado, principalmente no que diz respeito ao nível de fornecimento de concentrado e qualidade do volumoso suplementar de inverno, este sistema tem como atrativo, permitir elevada produção de leite por unidade de área a um custo inferior que o obtido no sistema de confinamento total. O menor custo de produção deve advir não apenas do menor custo de alimentação, mas também de uma estrutura mais simples em termos de máquinas, implementos e instalações. Potencial de produção e qualidade da planta tropical O grande potencial de produção das plantas forrageiras tropicais, entre 20 a até 60 toneladas de matéria seca (MS) por hectare/ano, permite explorar sistemas intensificados de produção com alta lotação animal, da ordem de 6 a 15 UA/ha durante 180 a 200 dias por ano, possibilitando produções de leite superiores a 10.000 kg/ha por ano. Pastagens temperadas manejadas intensivamente na Nova Zelândia produzem em média 8.300 kg de leite por hectare/ano. A superioridade das gramíneas tropicais, quando comparadas com as de clima temperado em termos de produção de forragem por área é inquestionável, permitindo lotações 2 a 6 vezes mais elevadas. Em contrapartida, a qualidade inferior das gramíneas tropicais tem sido apontada como um fator limitante a um elevado desempenho individual de vacas leiteiras mantidas nesses sistemas. Pastagens de clima temperado quando bem manejadas, apresentam valores de proteína bruta (PB) entre 20 a 25% e FDN entre 40 a 50% indicativos de uma forragem de altíssima qualidade. Em contrapartida, os dados com plantas tropicais têm mostrado valores bem mais modestos que os normalmente observados com plantas temperadas. Teores de PB entre 8 a 14% e 60 a 75% de FDN são valores normalmente relatados na literatura. Adubação, frequência de pastejo e resíduo pós pastejo, são alguns dos fatores de manejo que quando conduzidos de forma inadequada, concorrem de forma decisiva para um baixo valor nutritivo da forragem tropical e podem em parte explicar o conceito generalizado de que a planta tropical é de baixa qualidade. Entretanto, em condições de manejo adequado, diversos autores têm reportado resultados que de forma alguma permitem classificar a gramínea tropical como tendo baixo valor nutritivo, uma vez que teores de PB da ordem de 13 a 20% e FDN de 53 a 65% têm sido observados em trabalhos experimentais e em amostras feitas em propriedades comerciais. Esses dados indicam sem dúvida que estamos trabalhando com uma planta altamente exigente em manejo e que existe um campo ainda vasto a ser explorado pela pesquisa, no sentido de aprimorar as práticas de manejo para as diferentes gramíneas tropicais, com o objetivo de se maximizar a qualidade da forragem colhida pelo animal. Potencial de produção de leite em pastagens tropicais O potencial de produção de leite de vacas pastejando exclusivamente gramíneas temperadas pode chegar a 30kg/d. A Tabela 1 mostra os dados de produção de vacas de alto mérito genético, mantidas em regime da pastejo com plantas temperadas e suplementadas com concentrado nos Estados Unidos. Tabela 1. Dados de produção de leite em pastagens temperadas. Os resultados obtidos em pastagens tropicais têm sido bem mais modestos. O potencial de produção individual de vacas mantidas nessas pastagens, sem suplementação com concentrado, tem se situado entre 8 a 15 kg de leite/dia. A Tabela 2 apresenta os dados de produção de leite de vacas mantidas em pastagens tropicais e suplementadas com concentrado no Brasil, Costa Rica e Austrália. Tabela 2. Dados de produção de leite em pastagens tropicais. Os dados da Tabela 1 com pastagens temperadas foram obtidos com vacas de alto mérito genético e o período de lactação médio analisado foi dos 80 aos 150 dias. A produção média observada de 30,46 kg de leite/d foi obtida com um consumo de 8,1 kg de MS de concentrado. Já os dados da Tabela 2, com pastagens tropicais, mostram para os experimentos conduzidos no Brasil e Austrália, um nível médio de produção de 19,35 kg de leite/vaca com 4,7 kg de MS de concentrado. Quando consideramos os trabalhos com produções acima de 20 kg de leite/vaca e fornecimento de concentrado parcelado em 2 vezes ao dia, a produção média observada é de 21,6 kg de leite com 5,6 kg de MS de concentrado por vaca/dia. A relação kg de leite/kg de MS de concentrado observado tanto para gramíneas temperadas como tropicais é idêntica, ao redor de 3,75:1. Considerações finais Um dos principais desafios que se apresenta aos pesquisadores e produtores de leite nas regiões tropicais, é dentre tantos, o de aprimorar as técnicas de manejo de pastagem e de conforto animal, visando maximizar o consumo de forragem de alta qualidade, uma vez que a obtenção de lotações elevadas já são uma realidade em diversos sistemas intensivos implantados no Brasil.

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