Brucelose bovina.

Resultado de imagem para brucelose bovinaA brucelose bovina é uma doença infecciosa dos animais e do homem (zoonose), de relevância mundial, causada por Brucella abortus. É uma importante causa de abortos, acompanhada algumas vezes de infertilidade temporária ou permanente, causando grandes perdas econômicas (Thoen et al, 1995).Imagem relacionada

São reconhecidas hoje as seguintes espécies de brucelas e seus biovares: B. Abortus (8 biovares), Brucella melitensis (3 biovares), Brucella suis (5 biovares), Brucella neotomae, Brucella canis, Brucella ovis. Recentemente, uma nova espécie isolada de mamífero marinho está sendo estudada quanto à sua posição taxonômica dentro do gênero. O biovar 1 de B. Abortus é universal e predominante sobre os demais.

Epidemiologia

A brucelose bovina existe em todo o mundo, porém alguns países conseguiram erradicá-la (Finlândia, Noruega, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Suíça, Alemanha, Áustria, Hungria, Romênia e Bulgária), outros conseguiram liberar vários rebanhos e extensas áreas do seu território (Inglaterra, Irlanda, Polônia, Canadá, Estados Unidos, Cuba, Panamá, Austrália e Nova Zelândia) e estão próximos de alcançar o objetivo da erradicação.

No restante do mundo, as taxas de infecção são variáveis de um país para o outro e nas diferentes regiões, em especial em países de grande extensão territorial, tais como o Brasil.

Ocorrendo endemicamente em todo território nacional, a brucelose bovina pode ser diagnosticada em qualquer rebanho, não considerando a forma de criação e exploração econômica a que esteja submetido (Anexo 1) (Boletim de Defesa Sanitária Animal, 1998).

A brucelose é uma enfermidade principalmente de fêmeas adultas e em gestação. As não gestantes, machos e animais jovens são também susceptíveis, porém em menor grau.

B. Abortus alcança sua maior concentração no conteúdo do útero grávido, no feto e nas membranas fetais, que devem ser considerados como as maiores fontes de infecção (Blood & Radostits, 1989).

A via de infecção mais frequente é a oral. Quando uma fêmea aborta, elimina através do aborto, ou dos anexos fetais, uma grande quantidade de bactérias, contaminando assim o ambiente (Poester, 1997). Bezerros alimentado com leite contendo Brucellas podem albergar a bactéria e eliminá-la com as fezes contaminando assim o meio ambiente (Poester, 1997).

Touros acometidos e que eliminam sêmen com o microrganismo provavelmente não transmitem a doença, mas a chance da disseminação é muito grande se ele for usado na inseminação (Acha & Szyfres, 1986).

O contágio de rebanhos livres normalmente se dá pela introdução de um ou mais animais infectados, difundindo-se rapidamente de animal para animal, produzindo, durante os dois primeiros anos, perdas acentuadas (Poester, 1997).

As perdas com a produção animal por causa dessa doença, podem ser de grande importância, especialmente devido à queda na produção de leite nas vacas que abortam. A sequela comum da infertilidade, aumenta o período entre as lactações e, num rebanho infectado, o período médio entre os partos pode ser prolongado por muito meses. Além dos prejuízos ocasionados pela diminuição da produção de leite, há perda de bezerros e interferência no programa de reprodução.

Em rebanhos de gado de corte, onde os bezerros representam a única fonte de renda, essas perdas assumem grande importância. A alta incidência de infertilidade temporária e permanente, bem como as mortes ocorridas devido à metrite que sobrevém à retenção de placenta, resultam na eliminação de vacas valiosas (Blood & Radostits, 1989).

Sinais clínicos

Os achados clínicos dependem do estado de imunidade do rebanho. Em um rebanho de vacas prenhes, não-vacinadas e altamente susceptíveis, a característica principal da doença é o aborto após o quinto mês de gestação.

Nas gestações subseqüentes, o feto em geral chega a termo, embora possa ocorrer um segundo ou até terceiro aborto na mesma vaca. A retenção de placenta e a metrite são as sequelas comuns do aborto. As metrites, podem levar à esterilidade (Acha & Szyfres, 1986).

Nos touros, a orquite e a epidimite ocorrem ocasionalmente. Os touros acometidos, em geral, ficam estéreis quando a orquite for aguda, mas podem recuperar a fertilidade normal se um dos testículos não for lesado (Blood & Radostits, 1989).

Achados macroscópicos

Observam-se útero gestante com presença de exsudato fétido, amarelo-amarronzado e debris necróticos; placenta com placentomos necróticos e/ou hemorrágicos, com cotilédones friáveis e de coloração amarelado e recobertos por exsudato amarronzado de odor fétido; fetos abortados edematosos, contendo líquido avermelhado no tecido subcutâneo e com ocorrência de pneumonia; nos touros orquite necrótica caracterizada por áreas de focais ou difusas de necrose com coloração amarelada e friável e as vezes calcificada (Silva et al., 2005).

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