Hemoglobinúria bacilar e hepatite necrótica.

A hemoglobinúria bacilar é uma infecção causada por Clostridium haemolyticum (Clostridium novyitipo D).

Epidemiologia.

A enfermidade ocorre usualmente em bovinos, apesar de poder acometer esporadicamente os ovinos. É geralmente de localização geográfica limitada e está associada a áreas úmidas.

O microrganismo produz uma potente lecitinase denominada toxina beta, que é responsável por uma hemólise maciça. Esporos de C. haemolyticum são ingeridos com alimentos contaminados e no intestino, através da circulação portal, chegam ao fígado. Neste órgão permanecem por vários anos, até que se produza condições de anaerobiose necessárias para a germinação do agente.

O principal fator predisponente está relacionado à migração de vermes trematódeos pelo parênquima hepático, principalmente por larvas de Fasciola hepática que causam danos ao tecido permitindo condições de anaerobiose para germinação dos esporos, proliferação do agente com produção de toxinas que provocam destruição dos eritrócitos com liberação de hemoglobina.

No Brasil, foi relatado um surto na década de 60, no Rio Grande do Sul, na região do litoral norte do Estado, onde ocorreu a morte de 2500 bovinos (Guerreiro et al., 1962).

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos são: depressão, anorexia, diarréia sanguinolenta, hemoglobinúria e colapso, culminando com a morte em um a três dias após o início dos sintomas (Assis et al., 2001), também é caracterizada por hemólise intravascular com anemia (Kelly, 1985).

Achados macroscópicos

O achado mais característico à necropsia consiste em focos de necrose, geralmente múltiplos no parênquima hepático. Os rins apresentam-se de coloração vermelho-amarronzada, por serem manchados pela hemoglobina. Os vasos peritoneais apresentam-se injetados, e em alguns casos observa-se uma severa peritonite fibrino-hemorrágica (Kelly, 1985).

Hepatite infecciosa (“black disease”)

Introdução

A hepatite infecciosa é uma afecção com características muito semelhante à hemoglobinúria bacilar.

Epidemiologia

É causada por Clostridium novyi tipo B. A enfermidade ocorre habitualmente em ovinos, porém também pode acometer os bovinos. Os fatores predisponentes e a patogenia são semelhantes às descritas para a hemoglobinúria bacilar, estando também associada à presença de larvas de F. hepatica, entretanto, existe descrição da ocorrência da doença na ausência deste parasito.

C. novyi tipo B, produz três potentes toxinas; alfa (classicamente letal), beta (necrotizante e hemolítica) e zeta (hemolítica) (Kelly, 1985), sendo a alfa considerada a mais importante na patogenia do agente. Não existe nenhum relato oficial de hepatite infecciosa no país.

Sinais clínicos

A doença é também denominada “black disease”, devido à presença de sangue venoso cianótico no tecido subcutâneo e, aparentemente, na pele.

Achados macroscópicos

No fígado, são observadas áreas necróticas de coloração cinza-amareladas, circundadas por áreas hemorrágicas, decorrentes da ação da toxina alfa (lecitinase) produzida pelo agente.

Foto: Fígado necrótico causado por Clostridium novyi tipo B

Diagnóstico

O diagnóstico da hepatite necrótica baseia-se no isolamento, e na detecção do agente pela técnica de imunofluorescência direta (IFD) (Sterne & Batty, 1975). Já no caso da hemoglobinúria bacilar, além do isolamento e a IFD (Sterne & Batty, 1975), tem sido utilizada a técnica de imunohistoquímica empregando o complexo peroxidase-antiperoxidase (PAP) por Uzal et al., 1992.

Controle e Profilaxia

O controle e profilaxia devem basear-se em medidas adequadas de manejo e vacinações sistemáticas de todo o rebanho, já que os animais estão em permanente contato com os agentes e com os fatores que poderão desencadear as enfermidades.

As vacinas devem ser administradas por via subcutânea, preferencialmente, em duas doses intervaladas de 4-6 semanas na primo-vacinação e reforço anual, com exceção para Clostridium haemolyticum que deverá ser semestral.

Quando o rebanho é sistematicamente vacinado, os anticorpos colostrais protegem os animais por até 3-4 meses após o nascimento, devendo então a primo-vacinação ser realizada após esse período.

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