Prevenindo casos de fotossensibilização em pastagens.

Fotossensibilização refere-se à condição na qual substâncias químicas fotodinâmicas se acumulam na pele e quando estimuladas pela exposição à luz solar, lesam o leito capilar, resultando em necrose e desprendimento da pele.

O tipo de fotossensibilização causado pela ingestão de pastagens é denominada hepatógena ou secundária e têm como agente primário um fungo chamado Pithomyces chartarum. O P. chartarum é um fungo saprófita de plantas e já foi isolado em centenas de diferentes espécies vegetais e nas principais gramíneas tropicais cultivadas em território nacional, como a B. decumbens, a B. humidicola, a B. brizantha e em alguns cultivares de Panicum maximum, no entanto, sua proliferação é mais evidente em espécies forrageiras de crescimento prostrado ou decumbente, o que tem relacionado casos de fotossensibilização à pastagens formadas por espécies do gênero Brachiaria, na maioria das situações, e por espécies do gênero Cynodon, em menor grau.

O acúmulo de material vegetal morto e em processo de senescência na pastagem cria um microambiente altamente favorável ao desenvolvimento do P. chartarum, quando em condições ambientais de alta temperatura e alta umidade, ou seja, especialmente no período chuvoso.

O fungo produz uma substância tóxica (micotoxina) denominada de esporodesmina, que lesa gravemente o epitélio dos ductos biliares, levando a uma obstrução aguda dos mesmos, resultando em insuficiência hepática, que se manifesta por uma queda no escore de condição corporal, icterícia obstrutiva e fotossensibilização que, por sua vez, se instala quando as lesões hepáticas, previamente existentes e que ocasionam insuficiência do órgão, resultam no acúmulo de substâncias fotossensibilizantes no organismo, em especial a filoeritrina, que atinge níveis que tornam a pele sensível à radiação solar.

Como o fator primário desencadeador da fotossensibilização é o excesso de materialvegetal morto e senescente que permite a existência de um microambiente promissor para o fungo, é necessário adotar estratégias de manejo da pastagem e do pastejo que melhorem a eficiência de utilização, por parte dos animais, da forragem produzida, de forma que haja ao final do processo ou do período de pastejo, uma quantidade de material vegetal adequado, suficiente para não prejudicar a rebrota da planta forrageira e sua produtividade nos próximos ciclos.

Figura 1 – Ovinos Santa Inês apresentando lesões cutâneas a nível de dorso, lombo e garupa devido à fotossensibilização ocasionada pela ingestão de pastagens mal manejadas de Brachiaria decumbens.

Assim, é necessário implementar sistemas de pastejo que possibilitem uma maior eficiência na colheita da forragem produzida pelos animais em pastejo, objetivando evitar o acúmulo de material morto e senescente na pastagem. Nesse tópico, a adoção do pastejo sob lotação intermitente (ou pastejo rotacionado) é crucial, permitindo um maior controle sobre os aspectos envolvidos no crescimento da planta forrageira, sendo possível aumentar a eficiência de utilização da pastagem, usando-se pressão de pastejo adequada, e estabelecer alturas de resíduos pós-pastejo mais apropriadas.

Concomitantemente ao pastejo sob lotação intermitente, é preciso investir na fertilidade do solo, uma vez que, em solos de baixa fertilidade as plantas apresentam uma maior dependência da ciclagem/reciclagem interna de nutrientes, o que significa deixar um maior resíduo pós-pastejo e, quanto maior for esse resíduo maior será a quantidade de material vegetal sujeito à senescência e morte.

Por outro lado, em solos de média a alta fertilidade as plantas se tornam menos dependentes dos nutrientes existentes em seus próprios tecidos, permitindo resíduos pós-pastejo menores (de acordo com a Tabela 1), e subseqüentemente, uma maior eficiência de utilização da pastagem. Como conseqüência, haverá uma menor produção de material morto e senescente, não fornecendo condições favoráveis para a formação do microambiente que determina o desenvolvimento do fungo.

Tabela 1. Indicação de altura de pastejo e do resíduo pós-pastejo para algumas forrageiras tropicais, sob lotação intermitente, considerando dois níveis de fertilidade ou de adubação.

Associado aos dois procedimentos acima citados deve-se ainda realizar o dimensionamento dos módulos de pastejo, com a implantação de áreas sombreadas e com disponibilidade de água de qualidade, assim como, fornecer uma suplementação mineral balanceada com níveis um pouco mais elevados de zinco, principalmente, na ocorrência de casos clínicos.

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