Algumas das Principais Doenças Diagnosticadas nos Rebanhos Ovinos.

Doenças causadas por bactérias
Clostridioses
As clostridioses são causadas por bactérias do gênero Clostridium spp., as
quais habitam normalmente o intestino dos animais e estão presentes no
solo, na água e nas instalações. Elas somente irão desencadear doenças
se ocorrer uma multiplicação exagerada de sua população ou se algum
ferimento for contaminado com esporos dessas bactérias.
As doenças causadas por clostridioses podem e devem ser prevenidas
pela imunização, a qual é dada através da vacinação, uma vez que o
tratamento com antibióticos não é efetivo, pois o curso dessas doenças é
agudo, matando os animais rapidamente. A aplicação da vacina é bastante
simples, via subcutânea, seguindo-se a indicação da bula ou do frasco.
As vacinas são polivalentes, ou seja, induzem a proteção contra vários
tipos de clostrídios, imunizando, dessa forma, o rebanho contra as
doenças causadas por esses agentes. Todo o rebanho deve ser
imunizado: 1) fêmeas prenhes 30 dias antes do parto, 2) cordeiros aos 30
dias de idade, repetindo a dose (dose reforço) 30 dias após a primeira, e
3) demais animais uma vez por ano (carneiros e capões). É importante
ressaltar que: a) a imunidade estimada da vacina é de 1 ano, devendo-se
revacinar o rebanho anualmente, e; b) a vacina confere alto grau de
imunidade, porém sua eficiência não é de 100%, ou seja, poderão ocorrer
casos de clostridiose no rebanho, porém de forma esporádica, afetando
apenas um ou outro animal.
Embora o diagnóstico definitivo das doenças causadas por clostrídios seja
apenas em laboratório especializado, as de maior ocorrência são descritas
a seguir.

Carbúnculo sintomático (manqueira)
Doença causada pelo Clostridium chauvoei. Acomete ovinos de 6 meses a
3 anos de idade. A infecção está associada a práticas de manejo, ou seja,
tosa, corte da cauda, castração e casqueamento excessivo. Essa espécie
de clostrídio é responsável pela manqueira. Os animais acometidos
encontram-se deprimidos, febris e mancam, apresentando um inchaço
localizado (coxas e paletas) que, quando comprimido, revela a presença
de bolhas de gás. A morte ocorre dentro de 12 a 36 horas. Quando os
animais estão doentes o tratamento com antibióticos não é eficaz e a
morte é iminente.
Gangrena gasosa (edema maligno)
O edema maligno é uma infecção aguda de um ferimento, causada
principalmente pelo Clostridium septicum. Ocorre um inchaço agudo no
local da infecção e os animais apresentam-se abatidos, febris e sem
apetite. A evolução da doença ocorre em 2 a 3 dias, culminando com a
morte do animal.
Enterotoxemia (doença do rim polposo)
Produzida pelo Clostridium perfringens tipo D. Com mudanças bruscas de
alimentação (confinamento), dietas com grande quantidade de amido e
ingestão excessiva de leite ocorre uma proliferação exagerada dessa
bactéria no intestino do animal, produzindo altas concentrações de toxinas.
Estas, quando absorvidas, irão danificar vários órgãos, como cérebro, rins,
pulmões e coração. Os animais acometidos apresentam falta de
coordenação motora, cabeça posicionada para trás e convulsões. Podem
eliminar espuma pelas vias respiratórias e, com menos frequência,
apresentar diarreia. A evolução da doença é muito rápida. Os animais
morrem entre 12 e 24 horas, e os sinais clínicos, muitas vezes, não são
perceptíveis.

Tétano
O tétano é causado por uma neurotoxina produzida pelo Clostridium tetani.
A principal porta de entrada são as feridas profundas contaminadas por
fezes ou material contendo esporos da bactéria, pois proporcionam uma
condição de anaerobiose (ausência de oxigênio), favorável à germinação e
multiplicação dos esporos e, consequentemente, produção de
neurotoxinas. Os sinais clínicos observados nos animais são rigidez
muscular, tremores, travamento da mandíbula, rigidez dos membros
. orelhas eretas e exaltação dos reflexos. O animal morre por
asfixia, em função da paralisia do diafragma. O curso da doença é de 2 a 4
dias após a contaminação do ferimento ou prática de manejo (castração,
descola, tosquia), culminando com a morte do animal.Imagem relacionada

Botulismo
O botulismo é uma paralisia motora fatal, causada pela ingestão da toxina
do Clostridium botulinum, a qual prolifera em animais em decomposição.
Quando um animal morre, por causa da putrefação, são criadas condições
favoráveis para o desenvolvimento do C. botulinum e produção da
neurotoxina. Embora o botulismo esteja associado à ingestão de ossos ou
restos de cadáveres, a doença pode ocorrer pela ingestão de alimentos ou
água contaminados com a toxina botulínica. A evolução da doença varia
de 1 a 30 dias, pois depende da quantidade de toxinas ingeridas e da
resistência do animal. Ocorre paralisia dos músculos da locomoção,
mastigação e deglutição. O animal morre por asfixia respiratória.
1.2. Demais doenças causadas por bactérias
Algumas das doenças abordadas a seguir ocorrem com certa frequência
no rebanho. A ceratoconjuntivite, mastite, podridão dos cascos e
dermatofilose têm tratamento eficaz. Para a linfadenite recomenda-se o
descarte dos animais acometidos, a fim de evitar a contaminação dos
demais. Já para a pasteurelose, embora de ocorrência esporádica, podem
ocorrer mortes no rebanho, principalmente de cordeiros, caso o tratamento
não seja bem administrado.Resultado de imagem para mal do caroco
Linfadenite caseosa (mal-do-caroço)
A linfadenite caseosa é uma enfermidade altamente contagiosa, causada
pelo Corynebacterium pseudotuberculosis. A transmissão da bactéria
ocorre por contato da secreção mucopurulenta, com feridas provenientes
de práticas de manejo ou de arranhões na pele dos animais e por meio da
ingestão de alimentos e água contaminados. A bactéria alcança a linfa e
atinge os linfonodos periféricos, sendo caracterizada pela formação de
abscessos em diferentes partes do corpo dos animais (Figura 2a e 2b), ou
seja, abaixo da orelha, mandíbula, próximo à escápula e região inguinal,
podendo ocorrer também nas vísceras, pulmões e fígado. A doença pode
levar ao emagrecimento progressivo, deficiência respiratória e hepática.

São condenadas as carcaças de animais magros e gordos, que mostram
lesões numerosas e extensas de qualquer região. No entanto, podem ser
aproveitadas para consumo as carcaças com lesões discretas dos
gânglios e das vísceras, após remoção e condenação das partes
atingidas.
Assim que os pelos ou lã na área do abscesso começarem a cair deve-se
proceder a drenagem dele  É importante não deixar o abscesso
romper, pois a secreção contém grande quantidade de bactérias, sendo
altamente contagiosas. Além disso, as bactérias podem permanecer
durante meses no ambiente. Para a drenagem, deve-se realizar um corte
vertical no abscesso. Retirar todo o conteúdo purulento com o auxílio de um
saco plástico ou luva, evitando que entre em contato com o solo ou as
instalações. Após extrair toda a secreção, introduzir uma pinça envolta em
algodão embebido em iodo a 10% e fazer a assepsia do local. Repetir o
processo várias vezes, até que a área dentro do abscesso fique totalmente
limpa e desinfectada. Após o procedimento, queimar o material retirado, o
algodão e as luvas utilizados. É imprescindível o uso de luvas durante o
procedimento, pois a linfadenite pode ser transmitida ao homem.
O ideal seria o descarte do animal contaminado, pois o mesmo não fica
curado da doença. No entanto, se o número de animais acometidos for
grande, aconselha-se seguir o procedimento descrito acima, evitando que
mais animais se contaminem. O uso de antibióticos não tem efeito sobre a
bactéria.
Como medidas preventivas, adotar a quarentena para animais recémadquiridos,
a fim de verificar se estão livres dessa e de outras doenças e,
dependendo do objetivo da propriedade ou da incidência da doença, o
rebanho pode ser vacinado contra linfadenite. A vacinação deve ser
aplicada anualmente e em cordeiros é necessária uma dose reforço.

Resultado de imagem para ovinos conjuntivite

Ceratoconjuntivite infecciosa
É uma doença infectocontagiosa provocada pela bactéria Moraxella spp.
O animal acometido apresenta lacrimejamento, irritação do olho e, nos
casos mais graves, opacidade (Figura 3) e ulceração da córnea, com
perda da visão. A doença pode ser transmitida pelo contato direto entre
animais doentes e sadios e por moscas, as quais entram em contato com
as secreções e transmitem as bactérias de um animal ao outro. Os fatores
que predispõem a doença são excesso de lotação animal, instalações
pouco arejadas, poeira ou pó de alimentos (causam irritação nos olhos) e
grande população de moscas.
O tratamento pode ser feito à base de colírios/sprays específicos ou
também através de vacina específica para ovinos. Assim, em propriedades
onde a doença é frequente, recomenda-se a vacinação anual. Cabe
ressaltar que os medicamentos indicados para bovinos não são efetivos
para ovinos, pois a espécie de bactéria é diferente. Além disso, a doença é
transmissível ao homem. Portanto, é imprescindível o uso de luvas durante
o manejo dos animais.

 

Pasteurelose
A pasteurelose é causada pelas bactérias Mannheimia haemolytica e
Pasteurella multocida, as quais estão presentes no ambiente e nas vias
respiratórias dos animais. Qualquer situação de estresse, que diminua a
imunidade dos animais, favorece o estabelecimento da bactéria, que se
multiplica rapidamente no trato respiratório, levando a quadros de
pneumonia. Os animais apresentam dificuldade respiratória e elevação da
temperatura, podendo observar-se também secreção mucopurulenta nasal
e ocular, tosse intermitente e salivação espumosa. Além da forma
pulmonar (Figura 4a), pode-se observar também a forma septicêmica em
cordeiros, ou seja, infecção generalizada (Figura 4b). O tratamento é
realizado com o uso de antibióticos, principalmente do grupo das
tetraciclinas. Como medida preventiva, em propriedades onde a incidência
de pasteurelose é alta, além de evitar o estresse nos animais, recomendase
a vacinação.

Mastite (mamite)
Caracteriza-se por uma inflamação da glândula mamária, podendo ser de
origem contagiosa ou ambiental. A contagiosa é aquela causada por
agentes cujo habitat natural é o interior da glândula mamária e a superfície
externa dos tetos e é transmitida no momento da mamada do cordeiro. Os
principais agentes etiológicos são as bactérias, tais como M. haemolytica,
Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Corynebacterium spp. e
Clostridium spp. A inflamação de origem ambiental está associada a
agentes que vivem no ambiente onde o animal está inserido, ou seja,
locais com esterco, urina e lama. É representada principalmente pelas
enterobactérias, tais como Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e
Enterobacter aerogenes. O controle desse tipo de mastite é mais difícil
porque os principais agentes estão presentes no ambiente onde vivem os
animais.
As formas de mastite existentes são a subclínica (sem sinais aparentes) e
a clínica (com sinais clínicos aparentes). Na forma subclínica observa-se
redução da produção de leite e aumento das células somáticas. Na forma
clínica encontram-se a mastite aguda e a crônica. A primeira geralmente
ocorre no início da lactação e observa-se a presença de grumos no leite.
Os animais podem apresentar febre, falta de apetite, desidratação, entre
outros sinais. O úbere apresenta inchaço e vermelhidão e a fêmea sente
muita dor, impedindo a mamada do cordeiro. A evolução da doença
desencadeia a mastite gangrenosa (Figura 5a), podendo ocorrer o
desprendimento da glândula mamária. Dependendo do agente infeccioso,
o animal pode morrer dentro de 48 a 72 horas após a apresentação dos
sinais clínicos.
A mastite crônica geralmente é decorrente da aguda, mas que não foi
detectada ou o tratamento não foi eficaz. Nota-se a presença de nódulos e
abscessos (Figura 5b e 5c). Os abscessos podem romper e liberar pus.
Essas lesões são irreversíveis.

Tão logo sejam observados os sinais clínicos da mastite aguda deve-se
aplicar antibióticos de amplo espectro. Também pode-se fazer a aplicação
de anti-inflamatórios via intramamária, porém será necessário utilizar as
bisnagas para bovinos, uma vez que não são encontradas as específicas
para ovinos. Para a mastite subclínica, o tratamento não é recomendado,
por causa da baixa eficácia.

Pododermatite (podridão-dos-cascos ou foot rot).
É causada pela ação sinérgica entre duas bactérias: Fusobacterium
necrophorum e Dichelobacter nodosus. Essas bactérias não sobrevivem
na presença de oxigênio. Por isso, cascos muito crescidos, cheios de lama
e fezes criam condições favoráveis à instalação das bactérias. A
transmissão ocorre pelo contato de um animal doente com animais sadios
ou pelo contato com equipamentos infectados. Os principais fatores de
risco são o calor, a umidade e as lesões prévias nos cascos e o principal
sinal clínico é a claudicação (manqueira), com consequente redução no
consumo de alimentos e queda da produção.
A enfermidade inicia com a colonização do espaço interdigital pelo F.
necrophorum que, em condições de anaerobiose, provoca lesões no local,
tornando o ambiente favorável à instalação do D. nodosus. Este, por sua
vez, agravará as lesões, por sua ação proteolítica. De acordo com a
virulência da cepa envolvida, existem dois tipos de forma clínica: a branda
ou benigna e a severa ou virulenta. A forma branda caracteriza-se por
inflamação do tecido interdigital e claudicação passageira . Já
na forma severa ocorre necrose profunda do dígito, com odor fétido.
Dermatofilose
A doença é causada pela bactéria Dermatophilus congolensis. Caracterizase
por um processo infeccioso da pele, de caráter zoonótico, observandose
uma dermatite exsudativa, com erupções cutâneas crostosas e
escamosas. Quando sujeitas à tração, as crostas se desprendem com
facilidade, revelando úlceras rosadas com coloração amarelada. As lesões
costumam ocorrer na cabeça, principalmente na região do chanfro,
pescoço e orelhas. O tratamento é a base de antibiótico.

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