Osteomielite Equina.

gustavo_osteoA discussão sobre a definição e descrição de osteomielite é bastante clara quando da análise da própria terminologia.

Como todo raciocínio guiado por conceituação se submete a ela, o termo utilizado deve ser rediscutido pois ele pretende reconhecer o processo que se inicia do periósteo à medula.

A grande maioria dos autores descreve o processo como infeccioso conseqüente a traumas, por solução de continuidade ou secundariamente às intervenções cirúrgicas.

A visão fisiopatológica do início do processo no sentido medula/córtex começou a ser reconhecida na pediatria veterinária, em decorrência de processos infecciosos em neonatos nos quais os microorganismos encontram meio ambiente favorável na medula diafisária dos ossos longos. Uma circulação “Portal” e o substrato sinovial garantem essa predileção.

O caso clínico aqui colocado é bastante oportuno à reflexões tais como:

I.1. Um relato clínico Veterinário deve estimular a Revisão de Conceitos errôneos pré-existentes de uma relação hierárquica entre seres humanos e animais.

GUDRUN KRÖKEL BURKHARD cita em seu livro “Novos Caminhos de Alimentação” (vol. 1, ed. CLR Balieiro) no capítulo 1 entitulado de “a situação da natureza até os dias de hoje.”

… “É o EU que faz com que o ser humano, além da consciência, também tenha autoconsciência, de modo que ele não age apenas para satisfazer seus instintos mas de acordo com atos coletivos conscientes.”

…”Poderíamos dizem então, que não somente o reino animal, mas o vegetal e mineral ficaram para trás como resquícios de estágios da evolução humana e que consolidaram em suas formas.”

Em contrapartida há indivíduos da espécie humana que revisam essa questão, utilizando os atributos e responsabilidades que lhe foram doadas pela vida: tornam a iniciativa muito mais do domínio da situação que o domínio da própria natureza.

“No que concerne o homem, Cuvier (Geoge Cuvier, 1769-1932), anatomista francês) aceitou o pronunciamento cartesiano de que o homem é qualitativamente diferente dos outros animais. Mas ao contrário de Aritósteles e dos primeiros anatomistas, ele rejeitou a idéia de que zoologia consistia na comparação do animal “degradado” com o homem “perfeito”- Ernst Mayr, the Growth of Biological Thought.

“A afirmação – ou melhor, a demonstração científica que o homem não foi uma criação separada [de Deus] mas uma parte do mundo animal criou um tremendo rebuliço. Isto entrava em conflito com a Igreja Cristã e até com o dogma da maioria das escolas filosóficas. [Darwin] encerrou a visão antropocentrista do mundo e iniciou uma reorientação da posição do homem na natureza”- Ernst Mayr, professor de Zoologia, emeritus, da Universidade de Harvard.

“Na ciência contemporânea nenhum cientista sério aceita uma diferença qualitativa entre o homem e os animais – a distinção zoológica é de grau e não de qualidade”- Stephen Jay Gould, professor de geologia, biologia e história, pela Universidade de Harvard.

“Não existe o “mundo humano”, o mundo é um meio ambiente ecológico onde todas as espécies devem interagir, ou pagar pela sua insensatez – e a pena máxima é a extinção”- Bjark Rink.

I.2. O caso clínico teve uma fonte de compreensão etiológica e fisiopatológica mais ampla e livre permitindo um diagnóstico e tratamentos de visão orgânica sistêmica, com o qual atribuo todo o sucesso do mesmo.

I.3. Que o estudo da medicina Veterinária através da antropologia (Anthropus = Homem e Sophia = Sabedoria; é uma estudo do homem sobre si mesmo e sobre suas relações com o universo), seja entendido como referência e fonte de inspiração para elucidação de situações de desconforto físico, anímico ou espiritual da humanidade. Como uma retomada da posição humana frente a natureza.

II – DESCRIÇÃO DO CASO

II.1. Paciente

Espécie: Eqüina

Nome: Nepal

Raça: Mangalarga Manchadon

Sexo: Masculino

Idade: 07 Anos

q Exame clínico inicial: 27/05/99

Claudicação evidente do membro anterior esquerdo com sinais de inflamação e sensibilidade acentuadas na região da canela [porção distal, face lateral , do osso metacarpiano (para a espécie se denomina matacarpiano principal ) sem solução de continuidade, sugestiva de causa traumática ].

Medicação de apoio imediato – infiltração subcutânea local: Arnica Montana D20.[*]

q Exame radiográfico: 02/06/99

Imagem característica de Osteomielite na face lateral da diáfise distal do osso metacarpiano principal.

q Tratamento: 02/06/99 a 17/06/99

A) Injetável:

A.1) Sistêmico (via subcutânea): Arnica Montana D20* (02 ampolas) associado a Silícea D60* (02 ampolas) em dias alternados.

A.2) Loco-regional (via subcutânea): Arnica Montana D20 (01 ampola) associado a Silícea D60* (01 ampola) em duas aplicações com intervalo de 07 (sete) dias.

B) Via oral:

Calcária fluórica 30c** , 02 (duas) vezes ao dia, durante sete dias.

q Acompanhamento Clínico

· Ausência total de sinais clínicos após o tratamento.

· As radiografias de controle (08/07/99) evidenciaram correta e completa regeneração, comprovando a eficácia do tratamento proposto.

· Em seguida o paciente retornou suas atividades atléticas de rotina.

III – SOBRE OS MEDICAMENTOS UTILIZADOS

“Para compreender o efeito de um medicamento, precisamos do conhecimento de sua natureza. Dele resulta a indicação terapêutica, devendo o quadro de sua natureza corresponder ao quadro mórbido.” Otto Wolff.

Guiado pela riqueza de informações e elucidações sobre a Silícea e a Arnica dos médicos Otto Wolff e José Roberto Lazzaniri Neves através de matérias na Revista Médico-Farmacêutica nº 2, Maio/97 e Arte Médica Ampliada nº 2, inverno de 99 respectivamente, pude reconhecer a estreita identidade entre Arnica e Silícea e as quais comentarei a seguir:

III.1. Sobre a Arnica

A Arnica também é uma planta silícica que dirige o efeito da silícea no sentido do sistema nervoso.

Comentários: Neste sentido presumo que a Arnica estenda seu efeito analgésico elevando o limiar da dor, proporcionando ao paciente uma sensação de tranqüilidade e retomada de segurança frente ao receio do sintoma.

Levar processos formadores ao metabolismo, e processos metabólicos construtores ao domínio dos nervos.

A sílica é encontrada na natureza de várias formas. A opala, a ágata e o quartzo são três etapas da aparição desse elemento químico no reino mineral. Etapas que vão desde formas coloidais plásticas (opala) até formas bem estruturadas (quartzo). Essa propriedade permite que a sílica acompanhe a matéria viva desde as formas mais amorfas até as mais diferenciadas.

A Sílica da Arnica se encontra nesse estado plástico inicial. Em lugar algum ela elabora formas rígidas acabadas. Ela permanece ao nível das forças formativas, envolta nos tecidos vivos, pouco estruturados, tenros.

Por outro lado, a planta é totalmente permeada de influências aromáticas, ígneas. Isso dá ao medicamento um certa orientação no sentido da organização do eu. A Arnica introduz no ser humano um “processo semelhante à organização do Eu”, disse Steiner. E acrescenta: “Quando vocês administram uma substância tirada da Arnica montana, convenientemente dosada, injetável, (as outras vias não serão tão ativas), vocês constatarão, pelo menos como regra geral, que o sistema nervoso é fortemente influenciado. O Tratamento será bem sucedido se o doente se sentir mais forte e disser que acredita poder triunfar sozinho sobre os seus problemas.”

· Usos da Arnica

q Contusões

Analgésico. A dor revela uma impossibilidade de que os membros superiores se unam ao corpo físico. a Arnica alivia a dor por: fortalecer o etérico e por dirigir a intervenção adequada dos corpos astral e do eu.

q Apresentação

D20, D20-D30

III.2. Sobre a Calcárea Fluorica

“Fluoride of Lime. The is prepared from trituration of the salt and solution in distilled water.

Crystals of this salt are found in the Haversian canals of bones. This increases the hardness of bone and in excess may result In britlleness. It also occurs In tooth enamel and In the epidermis. Affinity with all these tissues may lead to the establishment of exostoses and enlargement of superficial glands. It is In addition a powerful vascular remedy.

Skeletal System. Bones of the upper jaw become swollen and In extreme cases become rarefied. This extends to gums and teeth, the enamel of which becomes black and brittle. Osseous tumours may appear anywhere while gouty enlargement of joints occurs with synovitis.”

III.3. Sobre a Silícea

a) A sílica em repouso no mineral já se encontra atuante nos processos vivos vegetais – por exemplo formando um suporte, um arcabouço por sua presença na parede celular, conferindo um caráter ora mais, ora menos fibroso e também firmeza a um vegetal. Aparece também na epiderme das plantas, formando uma pelugem fina, como, por exemplo, na urtiga; assim, além da função de invólucro ela exerce também a de sustentação.

Comentário: Essas características se identificam com a relação estrutural e diferencial entre córtex e periósteo.

b) A sílica aparece na formação das esponjas, com poros que se abrem para fora, ao contrário das conchas, onde o cálcio forma uma casca espessa e fechada.

Comentário: “É muito importante que a matriz óssea tenha mantida sua integridade estrutural como as conchas, porém mantendo sua relação dinâmica vital com a medula, a exemplo das esponjas.

c) A sílica permeia quase todos os órgãos e tecidos, principalmente o conjuntivo, conferindo-lhes uma característica de forma e de suporte. Já a partir do desenvolvimento embrionário, o próprio embrião, o âmnio e o cordão umbilical – ou seja, todos os envoltórios – são ricos em sílica, indicando a ação de forças formativas de fora para dentro, estruturando e diferenciando a substância protéica em várias direções.

Comentário: Estruturar respeitando a diferenciação é regenerar, muito mais do que reparar ou cicatrizar.

d) A sílica está presente no sangue numa quantidade constante e individual, não se alterando com a alimentação. Aí ela se encontra em sua forma primordial, viva, representada pelo fibrinogênio, cujas forças formativas atuam quando, por exemplo, numa lesão do vaso sangüínio o tecido é reconstituído pela fibrina, que reconstitui a forma.

Comentário: Fundamental para a manutenção do estado físico-químico do conteúdo medular.

e) Osso (tecido fibroso) o mecanismo de ação não está muito claro, mas se efetua profundamente nos ossos e nos tecidos fibrosos, produzindo supuração e completa destruição dos ossos, do periósteo e do tecido fibrosos de qualquer parte do organismo. Causa cáries das difises ou epífises, com excessivas dores noturnas. Nas articulações, há edema com completa destruição dos ligamentos. sua ação é lenta, profunda e crônica, assemelhando-se aos estados raquíticos e escrofulosos. a sílica influencia a nutrição mais do que a atividade funcional dos tecidos e, por isso, causa alterações mais orgânicas do que funcionais no organismo.

Comentário: Ação sinérgica da sílica sobre os tecidos adjacentes como ligamentos, bursa e superfície articulares.

f) Osteomielite aguda e crônica, principalmente da tíbia (quando supuram, a Silicea é o principal medicamento). Abcessos e fístulas dos músculos e articulações. parariço.

III.4 – Sobre a Calcárea Fluorica

MAVLEOD, George. MRCVS, DVSM, Vet. FF Hom. A Veterinary Materia Medica and Clinical Repertory with a Materia Medica of the Nosodes. Ed., Daniel, 1995

CONCLUSÃO

A partir do estudo das manifestações de uma substância na natureza e de sua atuação patogenética, podemos compreender a atuação da Silicea, como medicamento homeopático, tanto no que se refere a sintomas mentais demonstrando mais uma vez como o ser humano* é uma unidade de corpo e mente, e como o medicamento homeopático atua não sobre as partes, mas sobre o todo.

No caso da Silicea, notamos um tropismo para as afecções da pele, os anexos, o tecido conjuntivo, o cérebro, os órgãos sensoriais e o sistema nervoso. Isso aponta suas características de envoltório, de conferir forma, sustentação, transparência, permeabilidade, diferenciação e excreção. Isso também ocorre na esfera mental, onde a Silicea traz segurança, firmeza e luz.

Dados retirados do site: saude animal.

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