Técnicas essenciais para a instalação de um confinamento ovino.

Qual a vantagem em confinar ovinos?

No Brasil são adotados vários sistemas de produção, sendo que na região Sul a maioria dos cordeiros são terminados em pastejo, devido ao bom valor nutritivo das pastagens predominantes de inverno como o azevém, a aveia, o trevo, entre outras, resultando na redução dos custos de produção.

Já na região Sudeste e Centro-Oeste o mais comum é a terminação em sistema intensivo (confinamento) e semi-intensivo (pasto mais concentrado), que tem como principal vantagem antecipar o abate dos cordeiros devido ao bom nível nutricional oferecido para os mesmos. A área utilizada é restrita, (aproximadamente 1 a 1,5 m2por animal) fazendo com que os animais andem menos e tenham menor gasto energético.

Outro ponto fundamental é que após o desmame os cordeiros ficam estressados devido a separação da ovelha e da ausência do leite como alimento. Por esse motivo, diminuem a resistência orgânica, aumentando a pré disposição para enfermidades, principalmente à verminose, e os pastos contém em média 80 a 90 % das larvas infectantes. Entretanto, caso o criador adote o sistema de pastejo rotacionado essa infestação parasitária diminui sensivelmente.

Qual a alimentação básica de um confinamento e quais os alimentos normalmente usados?

Numa dieta bem formulada temos que ter pelo menos uma fonte energética e outra protéica , com um mínimo de 20 % FDN (teor de fibra) oriundo principalmente do volumoso. Os alimentos energéticos convencionais são o milho, o sorgo e a polpa cítrica e as fontes protéicas, o farelo de soja e o farelo de algodão, entre outros. Os volumosos utilizados são geralmente as capineiras trituradas (napier ou cana), silagem ou feno.

Os subprodutos podem ser usados, desde que estejam num preço atrativo. Devem ser analisados minuciosamente quanto ao seu valor nutricional para o produtor saber a quantidade que poderá substituir as fontes convencionais da dieta total. Primeiramente os órgãos de pesquisa devem testá-lo para averiguarem a confiabilidade do seu uso, pois os criadores não podem correr riscos usando em quantidades inadequadas ou não sabendo da existência de algum fator anti nutricional.

Quais os distúrbios que podem ocorrer? Quais são as vacinas mais recomendadas para os cordeiros confinados?

Para evitar distúrbios no trato digestivo, devemos ter o cuidado de balancear uma dieta com níveis adequados de proteína, energia, vitaminas e minerais, além do teor de fibra, pois qualquer erro na formulação poderá acarretar em perda de ganho de peso, perda econômica e resultar na morte do cordeiro. Para isso é necessário um técnico especializado para evitar maiores prejuízos na criação.

As primeiras doses de vacina geralmente são realizadas na fase lactente, ou seja, quando os animais apresentam de 20 a 30 dias de vida, e a segunda dose quase sempre é feita no desmame. As mais comuns e recomendadas são aquelas contra clostridioses, pasteurelose, ectima contagioso e conjuntivite.

Qual a idade de entrada e ganho médio diário dos cordeiros no confinamento e qual lotação média por m2?

Geralmente os cordeiros são encaminhados para o confinamento com idade média de 60 a 80 dias (data do desmame), com expectativa que os mesmos tenham peso vivo variando de 15 e 20 kg. Os cordeiros mais pesados indicam maior produção de leite e melhor habilidade materna da ovelha e consequentemente menos tempo de confinamento.

O ganho médio esperado nessa fase de terminação é de 200 a 250 g/dia, e, quanto melhor a genética e a nutrição, maior será o ganho médio diário do animal.

A densidade da área por cordeiro é de 1 m2 para confinamentos de piso concretado. Para aqueles parcialmente cobertos (os de chão batido) – 1,5 a 2 m2 e para aqueles a céu aberto com chão batido a área deverá ser de 2 a 2,5 m2, esse último devido ao excesso de lama em épocas de chuva.

O sal mineral mesmo que faça parte da dieta total deve estar disponível nos saleiros para que atenda as exigências minerais dos animais. A água deve ser de boa qualidade e os bebedouros devem ser limpos de acordo com a necessidade, geralmente uma a duas vezes por semana, corroborando com a melhor saúde dos animais.

Quando um confinamento com cobertura for construído, o mesmo deve ser direcionado no sentido leste-oeste, garantindo sombra ao longo do dia (bem estar animal), pois os animais permanecerão na sua zona de conforto térmico, resultando em incrementos no ganho de peso.

Qual os custo para a implantação de um confinamento?

Os custos para implantação de um confinamento vão depender de uma série de fatores, pois se a propriedade já possui uma instalação desativada, esta pode ser adaptada, reduzindo drasticamente os custos da implantação. Se o produtor optar por fazer uma instalação totalmente concretado e parcialmente coberta, os custos são maiores, entretanto resultará em maior higiene no momento do abate, devido a menores sujidades na lã e nos pêlos.

Figura 1 e 2 – Confinamento do Instituto de Zootecnia em Gália e confinamento da Unesp de Araçatuba.

Figura 3 e 4 – Confinamento com piso suspenso (Itamonte/MG) e confinamento com chão batido (João Ramalho/SP).

Figura 5 e 6 – Confinamento a céu abeto na época das águas (Araxá/MG) e confinamento da cabanha Unimar, com piso concretado (Marília/SP).

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