Preparo de solo e formação de pastagem.

Nos sistemas de produção em pastagem, é evidente que o uso correto do solo deve ser eficiente para que, ao menos na parte de nutrição, as forrageiras tenham seu melhor desempenho e aflorem seu potencial. Um solo bem manejado, seja pela baixa ou nula infestação de pragas, ou pelo aporte de nutrientes, atua de forma direta sobre o sucesso da pastagem. Como diziam nossos avós.. “uma criança bem alimentada não adoece” ou ainda, uma pasto bem manejado, dura quase que eternamente.

O fato de encarar o pasto como uma cultura, parece ser um mito para muitos produtores. Comumente, as áreas pouco produtivas ou ainda chamadas de áreas problemas são destinadas às pastagens, onde muitas vezes não é ao menos plantada e sim como dizem, nascidas sozinhas. Assim, todo o manejo deste pasto fica comprometido em função da baixa resposta da forragem. Ao pensarmos que o sistema deve suportar o máximo de lotação, qualquer que seja o manejo adotado para tal fato, implicará no insucesso pois não haverá condições favoráveis para o crescimento da forragem.

Como dizem, “tudo que começa bem .. termina bem, ou ainda, começando bem tudo corre bem…”. O investimento na formação ou implantação de pastagem pode ser considerado uma das atividades mais importantes, sob o ponto de vista econômico. Esta prática é tão importante, que deve ser considerada como um plantio semelhante a outras culturas, e, como tal, o produtor deve procurar, da melhor maneira possível, as técnicas mais recomendadas à formação da pastagem em sua propriedade. Sabe-se que a produtividade do pasto está intimamente relacionada, dentre eles, com a escolha do local para implantação da pastagem, escolha das espécies forrageiras (não existe forrageira milagrosa e sim a mais adequada para cada caso), época de plantio e preparo do solo. Ainda, plantar no momento certo é uma importante ferramenta para o sucesso.

Em relação ao local de plantio, deve-se considerar que as altas produções são obtidas em solos de maior fertilidade. A escolha do lugar para as pastagens depende da topografia, das aguadas e da facilidade de se realizar a construção de cercas. A maioria das espécies forrageiras não tolera solos encharcados. Ainda, locais que apresentam árvores ou bosques, são indicados para promover o bem estar animal, protegendo os animais do sol, das chuvas e ventos frios.

Com relação ao preparo do solo, este deve estar limpo, longe de cupins, plantas invasoras e demais objetos que venham atrapalhar a mecanização do processo. Ainda, todo um preparo de contenção de água por meio de curva de nível é necessário para que não somente sirva para preservar o meio ambiente, mas também para que não prejudique a uniformização e emergência das plantas em função de enxurradas na área.

Depois disso, o preparo do solo em si se caracteriza pelas arações e gradagens nas áreas, quantas vezes forem necessárias. É fato que áreas que contenham mais invasoras, ou ainda que possuíam outra forrageira implantada, possuem grandes quantidades de sementes oriundas das plantas que as compunham, formando no solo o que chamamos de banco de semente. Considera-se, em alguns casos, que em algumas áreas são necessárias até oito arações (foto 1) e oito gradagens para acabar com este banco de semente. No entanto, comumente fazem-se duas arações e duas gradagens para o plantio. Em muitos casos, recomenda-se uma segunda gradagem (após 20 dias da primeira), para eliminar o restante das ervas daninhas e no máximo três dias antes do plantio para que o solo esteja pulverizado para receber a semente, se este plantio for feito a lanço em cobertura.

Figura 1 – Arado.

A umidade e o calor são importantes no momento do plantio, o qual deve ser realizado no início da estação das chuvas, que, para as condições do Brasil Central, ocorre de outubro a dezembro. O preparo do solo deve ser realizado no fim do período da seca, nos meses de agosto e setembro.

Para o plantio, as quantidades de adubo já devem estar preparadas para que seja feita a aplicação e ainda, o calcário (se necessário na área) já deve ter sido aplicado a pelo menos 30 dias antes deste plantio. Além disso, a análise de solo deve ser feita 3 meses antes (geralmente nos meses de maio – junho) para determinação do processo a ser feito em relação à correção do solo.

No plantio, geralmente somente é colocado o adubo fosfatado (adubo para crescimento da raiz), deixando o adubo potássico (se necessário) e nitrogênio para serem aplicados em cobertura nos ciclos de pastejos.

No caso de plantio de pastagem por semente, utiliza-se um valor conhecido para calcular a quantidade de semente que leva em consideração o valor cultural (VC) da semente. Assim, utiliza-se um valor médio de (300 a 500)/VC, ou seja, tomando como exemplo, uma forrageira que possui 50% de VC, tem-se 10 kg de semente por hectare (500/VC). Considera-se 300 para uma condição excelente de plantio, em termos de clima, preparo de solo e mecanização. Normalmente se faz utilizando condições piores, portanto utilizando-se o valor 500.

Depois de feito isso, a semente deve ser distribuída na superfície do solo e compactada utilizando-se rolos leves (foto 2), feitos de pneu ou tambores, para compactar, ou ainda, promover o contato da semente com o solo. Lembrando, que se necessário, o adubo aplicado no plantio é somente o adubo fosfatado que pode ser misturado a semente no dia de plantio. É importante lembrar que o plantio por semente também pode ser feito por semeadoras, que dispensa o uso de rolos, pois desempenha a incorporação da semente no solo.

Figura 2 – Rolo compactador

Para pastagens implantadas por meio de muda, como o Coast-cross, Tifton, dentre outros se utiliza um método um pouco diferente. Pode-se utilizar, depois da área preparada (gradeada), a construção de sulcos a uma profundidade de 15 a 20 cm, com espaçamento por volta de 50 cm (Foto 3). Em seguida, devem-se distribuir as mudas nos sulcos de maneira uniforme e cobri-las parcialmente com terra. A cobertura total das mudas deve ser evitada, para que a rebrota não seja prejudicada. Ainda, pode-se utilizar a distribuição das mudas sobre a superfície do solo, com imediata incorporação das mudas, por meio de uma leve gradagem. É um método prático, mas exige maior quantidade de mudas e de cuidados especiais, para que sejam bem incorporadas ao solo. Um terceiro método, seria fazer covas na área, com espaçamento de 40 a 50 cm, e levemente cobertas com terra exigindo mais mão-de-obra. Devemos lembrar que a umidade de solo imediata no plantio por muda é primordial para o sucesso de todo o processo. O plantio por semente, permite que a chuva demore até 15 dias em alguns casos para que ocorra e efetue a umidade do solo. No entanto, um solo úmido é necessário em todo o processo, seja por muda ou semente.

Figura 3 – Plantio de capim por muda (por sulcos).

É importante lembrar que todo processo deve ser feito com responsabilidade e para que seja o mais eficiente possível, todo cuidado deve ser levado em consideração, desde a regulagem de máquinas sendo efetuada no momento certo e de forma correta. Assim, é importante que saibamos que as quantidades recomendadas devem ser muito próximas às aplicadas.

Em resumo, é em vão procurar por capins “milagrosos” (mais produtivos, baixa exigência em fertilidade, tolerantes a seca, resistentes a pragas e sem estacionalidade de produção). Com certeza absoluta, este capim não existe. Toda planta forrageira apresenta determinadas vantagens e limitações. Todavia para que haja produção e consequentemente correta utilização da pastagem escolhida, é fundamental que se estabeleçam inicialmente, níveis de fertilidade adequados para cada forrageira em questão. Um solo bem implantado e um manejo correto aliado a escolha correta da forragem em cada sistema, aumenta a vida útil da pastagem e consequentemente do sistema.

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