O USO DO CREEP FEEDING EM BOVINOS À PASTO.

Universidade Federal de Lavras – 3rlab

Em um sistema de criação de bovinos de corte, busca-se um bezerro desmamado com maior peso e menor tempo até o abate. O creep feeding é uma prática que busca suplementar bezerros criados a pasto, com alimentos concentrados antes do desmame, pois nesse período ocorre o máximo crescimento muscular do animal e melhor conversão alimentar, além de reduzir o tempo de permanência do mesmo na propriedade e consequentemente seu custo.

Os principais objetivos com a prática do creep feeding são:

  • Aumentar a taxa de ganho de peso dos bezerros (as) reduzindo a idade ao abate ou a idade da primeira prenhes;
  • Tornar os bezerros menos dependentes das vacas;
  • Bezerros que fizeram uso do creep, se adaptam mais facilmente à programas de confinamento;
  • Padronização dos lotes dos bezerros;
  • Diminuição do stress após a desmama;
  • Possível produção do novilho precoce e super precoce;
  • Melhoria na condição corporal das vacas pela diminuição do aleitamento;
  • Aumento da fertilidade e melhoria das características reprodutivas (tabela 1);

Tabela 1 Resposta à utilização do “creep feeding”, no peso ao desmame e fertilidade das matrizes.Um grande problema com a criação de bezerros a pasto é a perda de eficiência no ganho de peso devido a queda na qualidade e quantidade de nutrientes do leite na vaca após o parto. Estudos mostram que em média o pico de produção de leite ocorre aproximadamente aos dois meses de lactação (tabela 2), e após 90 dias esse leite já não consegue suprir as necessidades de um bezerro com ganho médio de 0,7Kg/dia. Ainda segundo alguns pesquisadores, aproximadamente 60 a 66% da variação do peso a desmama pode ser atribuída ao efeito direto do leite materno.Tabela 2 Necessidade nutricional do bezerro, em Mcal de Energia Digestível/dia.Lucas Machado – Universidade Federal de Lavras – 3rlab Há cerca de 11 anos pesquisadores da Embrapa trabalhavam na identificação da soja louca II que foi reconhecida como uma doença causada pelo nematoide Aphelenchoides sp. A identificação desse agente causal teve uma grande importância para o agronegócio, visto que a doença chegou a apresentar nas safras de 2009/2010 perdas de até 60% na produção em lavouras de soja atingidas. As perdas causada por essa doença se iniciou nas safras de 2005/2006, trazendo grandes prejuízos principalmente em regiões quentes e de muita chuva como os estados do Mato Grosso, Maranhão, Tocantins e Pará. Logo no surgimento do problema os pesquisadores já descartaram a possibilidade do agente causal ser o percevejo (causador da soja louca I), distúrbios fisiológicos ou problemas nutricionais da planta. Para descobrir o agente causal da doença o pesquisador da Embrapa Soja Maurício Meyer reproduziu os sintomas desta doença em plantas sadias através da inoculação com Aphelenchoides sp. (figura 1), o que acabou apontando que a presença desse gênero de nematoide tem relação direta na manifestação do problema. Figura 1 Nematoide Aphelenchoides visto no microscópio. Fonte: Epamig. Os pesquisadores afirmam que os sintomas da soja louca II podem ser observados no início da fase reprodutiva da cultura, que apresentam afilamento, enrugamento e engrossamento das folhas do terço superior das plantas (figura 2). As folhas com sintomas apresentam coloração mais escura e menor pilosidade em relação às normais. As hastes podem exibir deformações e engrossamento dos nós e as vagens podem apresentar lesões, rachaduras, apodrecimento e redução do número de grãos. Figura 2 Soja apresentando sintomas da doença. Fonte: Embrapa. É possível observar ainda que as plantas afetadas apresentam uma alta incidência de abortamento de vagens, o que acaba induzindo uma nova floração e sintomas de superbrotamento. “Esse abortamento é mais intenso na parte superior das plantas, diminuindo em direção à base, o que impede o processo natural de maturação, permanecendo a planta verde mesmo após a aplicação de herbicidas dessecantes”, relata o pesquisador da Embrapa Soja. A ocorrência da doença foi maior em anos com altos índices de chuvas, na entressafra e início de safra. Para o manejo ou até mesmo para encontrar um princípio ativo que controle essa doença são necessários mais estudos para compreender a dinâmica e a biologia do nematoide, entretanto, segundo os pesquisadores já é possível tomar algumas providencias para o manejo. Atualmente, sabe-se da existência de 180 espécies de Aphelencoides, sendo assim, é preciso investigar qual a espécie que realmente está prejudicando as lavouras de soja. O pesquisador Maurício Meyer acredita que o manejo da área deve ser a primeira linha de atuação. O preparo do solo por meio do gradeamento da área, em que a terra é revolvida e a cobertura vegetal é integrada ao solo, pode ser uma boa alternativa, mas ainda não tem dados que comprovem sua eficiência. Entretanto, muitas propriedades adotam o sistema de plantio direto e essa ação poderia ser um entrave. Outro fato importante é que alguns outros nematoides podem ser espalhados por meio do revolvimento do solo, assim, não podemos seguir uma “receita de bolo”, cada caso deve ser estudado em particular. O estudo, a identificação e o controle de plantas invasoras é outro ponto de grande importância. As plantas invasoras podem atuar como hospedeiras e ainda proporcionar um ambiente favorável ao aparecimento do nematoide. Existe a possibilidade de mudança do nome “soja louca II”, que surgiu pelo fato dessa doença apresentar sintomas semelhantes à soja louca I, identificada em 1970 e que estava associada ao ataque do percevejo. Uma das sugestões para o novo nome é “haste verde da soja”. Uma das formas de suprir esse déficit de Mcal e explorar toda a capacidade genética do animal é através do uso do creep feeding.SuplementaçãoEssa suplementação pré desmama é funcional, pois ela estimula o desenvolvimento do rúmen, incentivando o bezerro a procurar alimentos que não seja o leite, obtendo um maior valor de nutrientes, resultando em animais expressando todo o seu potencial genético e consequentemente mais uniforme.É recomendado que os suplementos no creep sejam fornecidos desde os 10 dias de vida dos bezerros para que os mesmos comecem a se adaptar, embora o consumo do suplemento seja muito pequeno nos primeiros 30 dias. Após o período de adaptação, os bezerros passarão a consumir de maneira constante. No sistema de creep feeding deve-se fornecer diariamente de 0,5 a 1,0% do peso vivo do bezerro em concentrado, podendo variar de 0,6 a 1,2 kg de concentrado/animal/dia de acordo com o consumo do animal. Em geral os suplementos fornecem 75 a 80% de Nutrientes Digestíveis Totais (NDT) e de 18 a 20% de proteína bruta. Para tal, utiliza-se uma composição semelhante a 78% de milho, 20% de farelo de soja, 2% de calcário calcítico e 1% de mistura mineral. A recomendação da composição e dos teores de nutrientes do concentrado pode variar em função da taxa de ganho de peso, da quantidade de leite produzida pelas mães e, principalmente, da quantidade de forragem disponível e da qualidade da forragem. Lembrando sempre que esses valores podem e devem ser alterados de acordo com a indicação do profissional responsável pela propriedade. InstalaçõesA estrutura do creep feeding (figura 1) deve ser feita de forma que somente o bezerro consiga ter acesso aos coxos.  É um sistema que visa à suplementação da cria sem que ela fique separada da mãe. É interessante que no início do tratamento, as vacas terem acesso ao coxo no creep feeding ou fiquem em áreas próximas, a fim de ensinar os bezerros a comerem os suplementos. Neste caso o creep feeding deve ficar aberto somente até que os bezerros comecem a comer o suplemento, posteriormente o creep feeding deve ser fechado e ser acessível somente para os bezerros.O dimensionamento do creep deve ser efetuado de acordo com o número de bezerros, respeitando a área de 1,5m² por animal, distando ao menos 2 metros da cerca, permitindo assim a melhor circulação dos animais. Além de ter acessos à entrada de bezerros, em geral com 0,40 metro de largura x 1,20 metros de altura, com esteios fincados bem firmes, para não machucar o animal.Lucas Machado – Universidade Federal de Lavras – 3rlab Várias espécies de insetos estão associados à cultura do milho e muitos deles apresentam alta capacidade de causar danos econômicos às lavouras. Em partes, o prejuízo que esses insetos causam é devido à dificuldade de acesso a informações e tecnologias que protegem os cultivos. Neste contexto, está a importância de existir técnicos capacitados atuando no campo para levar conhecimentos e as novidades em tecnologia aos produtores. Uma das pragas de solo que acomete a cultura do milho é o coró (Diloboderus abderus, Eutheola humilis, Dyscinetus dubius, Stenocrates sp, Liogenys sp), conhecido também como bicho bolo ou pão-de-galinha. Os besouros (fase adulta do inseto) de todas as espécies, podem ser facilmente percebidos à noite, próximos a fontes de luz. A postura é realizada pelas fêmeas no solo e aproximadamente uma semana depois eclodem as larvas que se alimentam do sistema radicular das plantas. As larvas possuem cabeça marrom, corpo de coloração branco-amarelada e em forma de C. A ponta do abdômen é transparente e brilhante. As larvas de cada espécie podem ser diferenciadas pelo tamanho e pela disposição dos pêlos e espinhos na região ventral do último segmento abdominal (figura 1). O coró se alimenta das raízes da planta, diminuindo assim a capacidade dela em absorver água e nutrientes, afetando a produtividade final da lavoura. Em regiões onde a safrinha de milho é desenvolvida, o inseto está causando prejuízos significativos e segundo pesquisadores, a média de perdas fica em torno de 20% (figura 2). Para combater essa praga existem duas formas de controle químico: o tratamento de sementes e a aplicação de inseticida no sulco de plantio.  As larvas vivem em galerias no solo (10 a 20 cm), se alimentando de restos culturais e das raízes das plantas, o que acarreta o tombamento das mesmas e consequentemente a perda em produtividade (figura 3). O monitoramento dos insetos na lavoura por meio de amostragens é essencial. A observação da infestação da praga deve ser feita ainda na cultura anterior, portanto, no caso do milho safrinha, é primordial que o monitoramento ocorra na safra de verão. A presença de um coró por metro quadrado indica a necessidade de controle. Se a população de insetos for maior, pode ser necessário realizar o tratamento de sementes e/ou a aplicação de inseticida no sulco. A quantidade de besouros que o produtor observa na propriedade, próximo a pontos de iluminação, pode ser um indicativo se naquela safra a infestação de corós será maior ou menor em comparação a safras passadas. Para realizar a amostragem na lavoura, é preciso abrir trincheiras com buracos de 20 a 30 cm de profundidade, 50 cm de comprimento e 20 cm de largura. O ideal é fazer na linha da cultura anterior, no caso do milho safrinha, deve ser feito na linha de soja. Os corós são capazes de causar danos tanto para culturas de verão quanto para culturas de inverno, principalmente em áreas de plantio direto. Geralmente, em lavouras de milho os danos são localizados, ou seja, são verificados em reboleiras.

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